O tema “competência” começou a ser pesquisado na década de 70 e entrou no meu vocábulo «consciente» pela mão de Guy Le Boterf (o inicial «De la competénce»). Posteriormente nos anos 80, ouvi falar de Patrícia Benner e do modelo de aquisição e desenvolvimento de competências.
A ideia de competência foi tendo muitas e sucessivas interpretações, inúmeras abordagens e diversos contributos vindos de diferentes áreas. De Bolonha ao Tuning, das competências dos perfis profissionais aos resultados de aprendizagem por competências, é vê-las florescer… e alargam-se nos contextos da organização do trabalho, se com vantagens para uns ou desvantagens para outros o futuro nos dirá.
Mas para compreender este conceito, devemos reportarmo-nos a autores que a abordam com relativa facilidade.
O perfil do trabalhador do século XXI, de acordo com a UNESCO – que se baseia no descrito em Mussak (2004) – assenta em oito dimensões:
(i) Flexibilidade
(ii) Criatividade
(iii) Informação
(iv) Comunicação
(v) Responsabilidade
(vi) Empreendodorismo
(vii) Sociabilização
(viii) Tecnologia.
Parece existir uma referência clara a um conceito de competência humana
Entre outros contornos, uma certa capacidade de agregar valor ao trabalho através da ousadia, da criatividade e inovação, ou a capacidade de compreender e respeitar as diferenças culturais e de percepção dos factos da vida são decisivos. focalizado nas capacidades individuais e na necessidade de interacção com os contextos.
Entender a competência humana de forma alargada pode bem vir a tornar-se um imperativo.
Uma pessoa que tem competências é aquela que tem maior vantagem competitiva, sendo a que tem capacidade para fazer escolhas e distinções, conseguindo resultados “diferenciados”.
Greenspan e colaboradores propõem um modelo conceptual da competência humana (Greenspan & Driscoll, 1997), estruturado em 3 níveis, indo de um mais global (competência pessoal) até um mais molecular ou elementar (inteligência social e competência social).
O ‘espectro da competência humana’ é explicado a partir dos conceitos de inteligência e de competência pessoal que aparecem como estruturantes para a capacidade de realizar os objectivos valorizados pelo indivíduo através da resolução de tarefas ou desafios específicos.
O conceito de competência pessoal tem um significado amplo, incorporando todos os skills que contribuem para realizar objectivos ou para resolver desafios, enquanto o termo inteligência tem um significado mais próximo do conjunto de skills envolvidos no processo de pensar e compreender (Greenspan & Driscoll, 1997).
Assim, a inteligência constitui um pré-requisito para se ser bem sucedido em qualquer tipo de tarefa, apesar de coexistir com outros aspectos da competência que contribuem para a realização das tarefas com sucesso.
Curiosamente, ocorre-me a teoria das «inteligências múltiplas» de Gardner, que considerava 7 tipos: linguística (aptidão verbal), lógico-matemática, espacial, musical, corporal-cinestésica, interpessoal (aptidão para compreender e responder adequadamente aos outros) e intrapessoal (aptidão para se compreender a si próprio).
O conceito de inteligência remete então para a complexidade do processo de resolução de problemas que a pessoa enfrenta no seu dia-a-dia.
Neste ponto, inteligência e competência aproximam-se e interligam-se e confundem-se no processo contínuo de desenvolvimento de experiência quando a pessoa opera num determinado âmbito, ou seja, constituem experiência em desenvolvimento (Sternberg & Grigorenko, 2003).
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Para o professor Eugénio Mussak, o século 21 será dos METACOMPETENTES, aqueles que conseguem ir além da competência. O prefixo META vem do grego, metá, e significa transcender, ir além de. Essa condição do desempenho tão desejado não só para os empresários que contratam, mas também pelo próprio trabalhador, precisa de alguns detalhes ambientais que estimulam o colaborador na sua tarefa de ir além da competência.
MUSSAK, Eugenio. Metacompetência: uma nova visão do trabalho e da realização pessoal. São Paulo: Editora Gente, 2003.
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IN Um Blog a Visitar: Às Voltas com o Doutoramento
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PARA RECORDAR
OS DILEMAS DO PROF.º DOUTOR ANTÓNIO NOVÓA
CONFERÊNCIA – 2006
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Quarta-feira, 21 de Maio de 2008
Educação, uma necessidade da vida
Democracia e Educação
1. A renovação da vida por transmissão. A distinção mais notável entre seres vivos e seres inanimados é que os primeiros se mantêm por renovação. Quando se bate numa pedra, esta oferece resistência. Se esta resistência for maior que a força com que se bate, a pedra não se altera minimamente. Caso contrário, ela é partida em pequenos bocados. Uma pedra nunca tenta reagir de tal forma que se possa manter inalterável contra a pressão que sofre ao ser batida, e muito menos ainda de forma a contribuir para a acção de que é alvo. Os seres vivos no entanto, podem ser facilmente esmagados por uma força superior, mas tentam apesar disso transformar a energia que actua contra eles num meio de prolongar a sua própria existência. Se não o conseguirem, não ficam partidos em bocados mais pequenos (pelo menos nas formas de vida superiores), mas perdem a sua identidade como um ser vivo.
Se uma praga matasse todos os membros de uma sociedade de uma só vez, é óbvio que este grupo desapareceria para sempre. No entanto, a morte de cada um dos elementos constituintes de uma sociedade é sempre absolutamente certa, mas o desfasamento de idades e o facto de alguns elementos nascerem enquanto outros morrem, torna possível a constante renovação do tecido social através da transmissão de ideias e práticas. No entanto esta renovação não é automática. A menos que sejam tomadas medidas de forma a verificar que se processa uma transmissão genuína e completa, qualquer grupo por mais civilizado que seja, regressa à barbárie e seguidamente ao estado selvagem. De facto os jovens humanos são de tal modo imaturos que se fossem abandonados a si próprios sem a orientação e ajuda de outros poderiam nem adquirir as competências rudimentares necessárias à própria existência física. A eficácia original dos jovens humanos quando comparada com a de outras espécies animais mais baixas é tão pobre que nem mesmo são capazes de conseguir sustento físico sem ajuda. Quanto mais, então, neste caso relativamente às competências técnicas, artísticas, cientificas e morais da humanidade.
In Revisitar a Educação
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Rosa Montero, escritora e jornalista espanhola de referência, fala-nos, em número recente da revista dominical de El País, de um livro que acabara de ler, “Atrapados en el hielo”, de Caroline Alexander. Obra que relata uma epopeia célebre de uma trintena de tripulantes que, nos inícios do século XX, naufragaram nos mares gelados da Antárctida e por lá andaram perdidos durante 22 meses. Tinham como missão proceder ao levantamento geográfico daquele continente, mas um Inverno mais do que rigoroso impediu-os de chegar a terra firme. Com o barco encalhado, andaram a saltar de bloco em bloco de gelo, sempre no receio de serem engolidos pelas águas geladas. Os três botes que conseguiram salvar do naufrágio permitiram-lhes chegar, finalmente, a uma ilha deserta, inóspita, onde encontraram água e um providencial provimento alimentar de focas e pinguins.
Como é que conseguiram resistir durante esses dois anos a temperaturas inferiores a 40 graus negativos, sem roupas nem alimentos minimamente adequados? Talvez por uma só razão: a sua determinação em sobreviverem, alicerçada no ânimo e na disciplina que o chefe da missão lhes soube incutir. Se a expedição não serviu para alargar o conhecimento geográfico, permitiu algo bem mais importante: a testagem da capacidade humana de sobrevivência em condições tão adversas quanto as do Pólo Sul. De sobrevivência em grupo, note-se.
Mas o mais espantoso ainda estava para vir. Encontrados por uma expedição de socorro, desfeito o grupo, regressado cada um dos protagonistas à sua condição de cidadão comum, os azares começaram a apoquentá-los: ou se meteram em situações confusas, tanto do ponto de vista pessoal, como de ordem profissional, ou, então, mergulharam no alcoolismo, no jogo, em suma, em vidas de dissolução, de decadência física e moral. E a autora do artigo, Rosa Montero, interroga-se sobre o que se teria passado: aqueles 22 meses teriam esgotado a sua capacidade de autocontrolo? Ou seria mais fácil comportarem-se como heróis durante um certo tempo, do que manterem-se “em pé” durante toda a vida? Enfim, talvez “viver com dignidade toda uma existência seja, na realidade, a maior das proezas” que um ser humano pode realizar, acrescenta Rosa Montero.
Sim, sem dúvida que todas essas “explicações” terão a sua razão de ser, mas eu alvitro, ainda, uma outra: quem experimentou construir a sua vida quotidiana a partir da solidariedade que se estabelece dentro do grupo de pertença, não tem muitas possibilidades de sobreviver, se separado desse grupo for.
Quais as conclusões que se poderão tirar para a nossa sobrevivência enquanto educadores em tempo de crise? Tantas e tão variadas que competirá a cada um de nós descobri-las e… praticá-las – em grupo, no nosso grupo de pertença!
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
Will Kymlicka, “Direitos Individuais e Direitos de Grupo na Democracia Liberal” (Parte IV)
Muitas pessoas preocupam-se com o facto dos imigrantes, actualmente, recusarem a tendência histórica para a integração e procurarem algo parecido com os direitos e poderes das minorias nacionais. Acredito que esta preocupação é errada. É certo que na actualidade alguns grupos imigrantes no Ocidente estão a exigir determinados direitos de grupo, frequentemente sob o título do “multiculturalismo”, mas acredito que é incorrecto interpretar as exigências multiculturais dos imigrantes como expressão de um desejo protonacionalista de auto-governo. Pelo contrário, se considerarmos a substância real dessas políticas multiculturais, na realidade não se opõem à integração, até as apoiam. Por exemplo, as políticas de “discriminação positiva” procuram aumentar o número de imigrantes que participam nas instituições principais, garantindo-lhes cotas para cargos em diversas instituições académicas, económicas e políticas. Outras políticas têm como propósito fazer com que os imigrantes se sintam melhor no interior dessas instituições uma vez que já lá estão. Por exemplo, é este o caso das exigências de que os currículos das escolas sejam revistos para proporcionar um maior reconhecimento das contribuições históricas dos grupos imigrantes ou as exigências para que as instituições públicas reconheçam as festividades religiosas dos grupos imigrantes (por exemplo, reconhecendo as festas judaicas e muçulmanas, da mesma forma que as cristãs) ou a solicitação de que as normas de vestuário para as escolas, os lugares de trabalho e as forças policiais sejam reformadas a fim de que os sick possam levar os seus turbantes, os judeus os seus kipás ou as mulheres muçulmanas os seus véus.
É importante distinguir este tipo de diversidade cultural daquela que é gerada pelas minorias nacionais. Os grupos imigrantes não são “nações” e não ocupam territórios próprios. A sua diferença manifesta-se fundamentalmente na sua vida familiar e nas suas associações voluntárias, sem que isso seja incompatível com a sua integração institucional. Estes grupos participam nas instituições públicas da cultura dominante e falam a língua dominante. Por exemplo, os imigrantes, excepto os mais idosos, devem aprender inglês para adquirir a cidadania americana ou australiana, e a aprendizagem do inglês é parte obrigatória da educação de uma criança (no Canadá devem aprender uma das duas línguas oficiais: francês ou inglês). O compromisso com a preservação de uma língua comum tem sido o traço constante da história das políticas de imigração[1]. A rejeição da angloconformidade não supôs um enfraquecimento do compromisso para assegurar que os imigrantes se tornem anglófonos, algo considerado essencial para quem deseje incorporar-se por inteiro na vida económica, académica e política do país.
Embora os grupos imigrantes tenham progressivamente reafirmado o seu direito a expressar a sua particularidade étnica, fizeram-no no interior das instituições públicas da sociedade anglófona (ou francófona no Canadá). Ao rejeitar a assimilação, estes grupos não estão a pedir a criação de uma sociedade paralela, como acontece no caso da exigência típica das minorias nacionais. De acordo com isto, os Estados Unidos e a Austrália contêm uma série de “grupos étnicos” que se apresentam como subculturas debilmente agregadas no interior da sociedade anglófona mais ampla, dando assim mostras do que eu denomino de “pluri-etnicidade”. De igual modo, existem no Canada subculturas étnicas no interior das sociedades anglófona e francófona.
Embora os grupos imigrantes tenham progressivamente reafirmado o seu direito a expressar a sua particularidade étnica, fizeram-no no interior das instituições públicas da sociedade anglófona (ou francófona no Canadá). Ao rejeitar a assimilação, estes grupos não estão a pedir a criação de uma sociedade paralela, como acontece no caso da exigência típica das minorias nacionais. De acordo com isto, os Estados Unidos e a Austrália contêm uma série de “grupos étnicos” que se apresentam como subculturas debilmente agregadas no interior da sociedade anglófona mais ampla, dando assim mostras do que eu denomino de “pluri-etnicidade”. De igual modo, existem no Canada subculturas étnicas no interior das sociedades anglófona e francófona.
Em teoria, seria possível aos imigrantes constituir minorias nacionais se formassem conjuntos e adquirissem competências de auto-governo. No fim de contas, foi isto que aconteceu aos colonos ingleses por todo o Império, com os colonos espanhóis em Porto Rico e com os colonos franceses no Quebéc. Estes colonos não se consideravam a si próprios como “imigrantes”, já que não possuíam a expectativa de se integrarem noutra sociedade, mas aspiravam a reproduzir a sua sociedade original num novo território. Um traço essencial da colonização, ao contrário da imigração individual, é o facto de aspirar a criar uma sociedade institucionalmente completa, mais do que a integrar-se numa sociedade pré-existente. Em princípio seria possível permitir ou ajudar os imigrantes a serem considerados como colonos se possuíssem um amplo apoio governamental para organizar a sua fixação, os seus direitos linguísticos e a criação de novas unidades políticas.
Em teoria, seria possível aos imigrantes constituir minorias nacionais se formassem conjuntos e adquirissem competências de auto-governo. No fim de contas, foi isto que aconteceu aos colonos ingleses por todo o Império, com os colonos espanhóis em Porto Rico e com os colonos franceses no Quebéc. Estes colonos não se consideravam a si próprios como “imigrantes”, já que não possuíam a expectativa de se integrarem noutra sociedade, mas aspiravam a reproduzir a sua sociedade original num novo território. Um traço essencial da colonização, ao contrário da imigração individual, é o facto de aspirar a criar uma sociedade institucionalmente completa, mais do que a integrar-se numa sociedade pré-existente. Em princípio seria possível permitir ou ajudar os imigrantes a serem considerados como colonos se possuíssem um amplo apoio governamental para organizar a sua fixação, os seus direitos linguísticos e a criação de novas unidades políticas.
In QUALIA, outro Blog a visitar…
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Para RECORDAR:
1 – João Pedro Pais
2 -Bruce Springsteen & Sting – The River (Live
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2 respostas Até agora ↓
gliceriagil // Fevereiro 23, 2008 às 3:54 pm |
Olá,
Nota-se investimento no blog … e informação útil.
Obrigada e continuação de um bom trabalho aqui e no doutoramento.
enfermped // Março 16, 2008 às 8:23 pm |
Obrigada, Glicéria, vai-se fazendo aquilo que se pode consoante a disponibilidade ….Volta sempre, RS.
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