Arquivo do mês: janeiro 2008

O cantinho de Poesia e da Reflexão ….

“Só o que sonhamos é o que verdadeiramente somos,
porque o mais, por estar realizado,
pertence ao mundo e a toda a gente.”
(Bernardo Soares, Livro do Desassossego).
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Matar o sonho é matarmo-nos.
É mutilar a nossa alma.
O sonho é o que temos de realmente nosso,
de impenetravelmente…
e inexpugnavelmente nosso.

Fernando Pessoa

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Simplesmente Maravilhoso!
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Porque é, cada vez mais, importante a reflexão …

Ensinar a fingir

“Ensinar é difícil. Exige virtudes que poucos seres humanos têm: paciência, humildade, curiosidade científica, sensibilidade pedagógica e didáctica, gosto em dar a saber a quem sabe menos, gosto pelo contacto humano com os estudantes. Acresce que não há métodos automáticos que garantam a excelência do ensino, tal como não há métodos automáticos que garantam a excelência da investigação. Exige-se perspicácia, maturidade, inteligência, criatividade, vistas largas.

A excelência do ensino depende exclusivamente dos professores. Algumas medidas do governo central podem potenciar ou estimular a excelência educativa, mas não podem criá-la por decreto. De modo que toda a intervenção do ensino que vise a excelência educativa tem de ser sobretudo um estímulo aos professores para fazer melhor. E os professores não podem fazer melhor se não estudarem, pois o aspecto central da nossa falta de qualidade educativa é a pura falta de conhecimentos fundamentais que deviam ser solidamente dominados pelos professores”.

Ver mais…

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No aniversário de Gabriel García Márquez – 06-03-2009

Não quero deixar de assinalar o aniversário do escritor  Gabriel García Márquez  e parabenizar um dos seus melhores livros Cem Anos de Solidão que é um dos livros mais fascinantes que já li.

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Write Like an Egyptian?

My name

In Conversamos?!

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“Todo o ser humano é diferente de mim e único no universo;
não sou eu, por conseguinte, quem tem de reflectir por ele,
não sou eu quem sabe o que é melhor para ele, não sou eu
quem tem de lhe traçar o caminho; com ele só tenho o direito,
que é ao mesmo tempo um dever: o de o ajudar
a ser ele próprio.”

Agostinho da Silva

daqui

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Contrariedades

Eu hoje estou cruel, frenético, exigente;
Nem posso tolerar os livros mais bizarros.
Incrível! Já fumei três maços de cigarros
Consecutivamente.

Dói-me a cabeça.Abafo uns desesperos mudos:
Tanta depravação nos usos, nos costumes!
Amo, insensatamente, os ácidos, os gumes
E os ângulos agudos.

Sentei-me à secretária. Ali defronte mora
Uma infeliz, sem peito, os dois pulmões doentes;
Sofre de faltas de ar, morreram-lhe os parentes
E engoma para fora.

Pobre esqueleto branco entre as nevadas roupas!
Tão lívida! O doutor deixou-a. Mortifica.
Lidando sempre! E deve conta à botica!
Mal ganha para sopas…

O obstáculo estimula, torna-nos perversos;
Agora sinto-me eu cheio de raivas frias,
Por causa dum jornal me rejeitar, há dias,
Um folhetim de versos.

Que mau humor! Rasguei uma epopeia morta
No fundo da gaveta. O que produz o estudo?
Mais uma redacção, das que elogiam tudo,
Me tem fechado a porta.

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chovisca. O populacho
Diverte-se na lama.

Eu nunca dediquei poemas às fortunas,
Mas sim, por deferência, a amigos ou a artistas.
Independente! Só por isso os jornalistas
Me negam as colunas.

Receiam que o assinante ingénuo os abandone,
Se forem publicar tais coisas, tais autores.
Arte? Não lhes convém, visto que os seus leitores
Deliram por Zaccone.

Um prosador qualquer desfruta fama honrosa,
Obtém dinheiro, arranja a sua “coterie”;
E a mim, não há questão que mais me contrarie
Do que escrever em prosa.

A adulação repugna aos sentimento finos;
Eu raramente falo aos nossos literatos,
E apuro-me em lançar originais e exactos,
Os meus alexandrinos…

E a tísica? Fechada, e com o ferro aceso!
Ignora que a asfixia a combustão das brasas,
Não foge do estendal que lhe humedece as casas,
E fina-se ao desprezo!

Mantém-se a chá e pão! Antes entrar na cova.
Esvai-se; e todavia, à tarde, fracamente,
Oiço-a cantarolar uma canção plangente
Duma opereta nova!

Perfeitamente. Vou findar sem azedume.
Quem sabe se depois, eu rico e noutros climas,
Conseguirei reler essas antigas rimas,
Impressas em volume?

Nas letras eu conheço um campo de manobras;
Emprega-se a “réclame”, a intriga, o anúncio, a “blague”,
E esta poesia pede um editor que pague
Todas as minhas obras…

E estou melhor; passou-me a cólera. E a vizinha?
A pobre engomadeira ir-se-á deitar sem ceia?
Vejo-lhe a luz no quarto. Inda trabalha. É feia…
Que mundo! Coitadinha!

In Cesário Verde

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Antes que o tempo acabe

Antes que o tempo acabe,
E a madrugada roube um beijo…
Navego em rios de palavras,
No meu barco de desejo,
Aproo os meus sentimentos ao vento,
Testemunha do meu próprio ser,
E digo baixinho, em segredo, o que sinto,
Dando voz ao coração…
Soltam-se as velas, em tempestades de loucura,
Agita-se o mar, nos corpos que se encontram…
E na espuma das tentações que asfixiam,
Morro lentamente sem saber,
Trespassado pela seta de um Cupido…
Subo os cabos feitos das lágrimas que deitas,
No brilho dos teus olhos cheios de alegria,
Num rosto desenhado em perfeição,
Nas promessas sentidas,
Partilhadas e ditas…em perfeitas comunhões,
Feito de ondas que embalam ilusões,
Neste amor que confesso.
Nos teus braços de sereia,
Rapta-me e dá-me tudo o que tens para dar…
Faremos da noite, uma vadia,
Onde nos perderemos nas constelações do céu,
Ao teu lado, deixo-me assim levar, pela maré,
Deslizando em forças que arrepiam o meu dorso,
Nuvens que me abraçam, em ternura e carinho…
E descubro o meu porto de abrigo,
No calor do teu corpo.
Navego, sedento de paixão,
E descubro a cada momento,
Que mato a minha sede, hoje e sempre…
Em ti, antes que o tempo acabe…

In Mar de Sonhos, publicado pelo poeta Luís F.

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Mia Couto

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Um blog para cuscar: Poesias de hoje e de sempre

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Porque

“Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os Outros têm medo mas tu não.

Porque os Outros são túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não”.

Sophia de Mello Breyner Andresen

“No Tempo Dividido e Mar Novo”, Edições Salamandra, 1985, p. 79

Daqui …

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“Después de un tiempo, uno aprende la sutil diferencia

entre sostener una mano y encadenar un alma

Y uno aprende que el amor no significa acostarse.

Y que una compañía no significa seguridad,

y uno empieza a aprender…

Que los besos no son contratos y los regalos no son promesas,

y uno empieza a aceptar sus derrotas con la cabeza alta

y los ojos abiertos,

y uno aprende a construir todos sus caminos en el hoy,

porque el terreno del mañana es demasiado inseguro para planes…

y los futuros tienen su forma de caerse por la mitad.

Y después de un tiempo uno aprende que, si es demasiado,

hasta el calor del Sol puede quemar.

Así que uno planta su propio jardín y decora su propia alma,

en lugar de esperar a que alguien le traiga flores.

Y uno aprende que realmente puede aguantar,

que uno es realmente fuerte,

que uno realmente vale, y uno aprende y aprende

… y así cada día.

Con el tiempo aprendes que estar con alguien,

porque te ofrece un buen futuro,

significa que tarde o temprano querrás volver a tu pasado.

Con el tiempo comprendes que sólo

quien es capaz de amarte con tus defectos sin pretender cambiarte,

puede brindarte toda la felicidad.

Con el tiempo te das cuenta de que si estás con una persona sólo

por acompañar tu soledad, irremediablemente acabarás no deseando volver a verla.

Con el tiempo aprendes que los verdaderos amigos son contados y

que quien no lucha por ellos tarde o temprano se verá rodeado

sólo de falsas amistades.

Con el tiempo aprendes que las palabras dichas

en momentos de ira siguen hiriendo durante toda la vida.

Con el tiempo aprendes que disculpar cualquiera lo hace,

pero perdonar es atributo sólo de almas grandes.

Con el tiempo comprendes que si has herido a un amigo duramente,

es muy probable que la amistad jamás sea igual.

Con el tiempo te das cuenta que aun siendo feliz con tus amigos,

lloras por aquellos que dejaste ir.

Con el tiempo te das cuenta de que cada experiencia

vivida con cada persona es irrepetible.

Con el tiempo te das cuenta de que el que humilla o

desprecia a un ser humano, tarde o temprano sufrirá

multiplicadas las mismas humillaciones o desprecios.

Con el tiempo aprendes a construir todos tus caminos en el hoy,

porque el sendero del mañana no existe.

Con el tiempo comprendes que apresurar las cosas

y forzarlas a que pasen, ocasiona que al final no sean como esperabas.

Con el tiempo te das cuenta de que en realidad lo mejor no era el futuro,

sino el momento que estabas viviendo justo en ese instante.

Con el tiempo verás que aunque seas feliz con los

que están a tu lado, añorarás a los que se marcharon.

Con el tiempo aprenderás a perdonar o pedir perdón,

decir que amas, decir que extrañas, decir que necesitas,

decir que quieres ser amigo, pues ante una tumba ya no tiene sentido.

Pero desgraciadamente, sólo con el tiempo…”

Jorge Luís Borges
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PAUSA MUSICAL

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A felicidade exige valentia

“Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”
Fernando Pessoa – 70º aniversário da sua morte
1888 – 1935

In Revisitar a Educação

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Para ver … com olhos de ver a 3D

Tirado daqui: Conversamos?!

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Quinta-feira, 22 de Maio de 2008

Alquimia das palavras

Das letras surgem palavras,
Sereno mundo em que me deito,
Respiro perfumes no teu leito…
Em linhos de magia.
Estrelas cadentes que se acendem,
Velas que bailam em encantos,
Pedras fundidas num ouro que brilha,
Histórias de alquimia,
Beijos dos amantes.
Voam aves no horizonte laranja,
Quando o dia abraça a noite,
Ardentes sereias a cantar,
Barcos perdidos, segredos no mar,
Em telas de fundo azul.
Moldo o barro com encanto,
Mãos que transformam,
Constroem o mundo…
Foguetes que queimam o céu,
Cores majestosas acendem o prisma.
Criança que brinca,
Ao som da guitarra no fado.
Mel que escorre da flor que nasce,
Janela que abre para a vida,
Truques em fórmulas de encanto,
Dos sonhos e das conquistas.
Máscaras, rostos pintados,
Olhares e sinais distantes,
Amor imortal…
Ecoou a voz na catedral,
No reino da fantasia.
Roubo o tempo ao tempo,
Dedos que escorrem em ribeiros brandos,
Puros momentos de prazer,
Alambique que molda o sonho,
Fermento que lanço na seara despida,
E das palavras nasce assim a poesia.
Pelo poeta Luis Ferreira, IN Mar de Sonhos
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Vale a pena recordar:

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Tempos Sombrios

Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura.
Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade.
Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.
Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes,
pois implica em silenciar
sobre tantos horrores.

Bertold Brecht
In Revisitar a Educação
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Moita Flores: Um Exemplo dos Problemas

da Norma da Autoridade

Maio 30, 2008

No meu post sobre a norma da autoridade na persuasão alertei para o facto de que um dos principais problemas desta norma é transferência da autoridade de uma pessoa de um dado assunto para outros na qual essa autoridade não se aplica. Moita Flores é o exemplo prático disso mesmo!

Elevado a personalidade mediática pela facilidade como surge na televisão a comentar todo e qualquer caso policial, ou não policial, Moita Flores assumiu um papel de autoridade que tem vindo a transferir, com sucesso diga-se, para outras áreas onde se percebe não ter conhecimento que lhe permita assumir esse estatuto. Nada melhor qualifica Moita Flores como a designação de “homem dos sete ofícios” que o Marco Santos o designa. Continuando a usar as palavras publicadas no Bitaites, deixo aqui este parágrafo que sumariza na perfeição a situação:

O homem tem o notável talento de dizer lugares-comuns com a mais absoluta das convicções. E esta é uma qualidade óptima para quem quer aparecer em televisão, como qualquer político sabe. E ele também é político. Ele é tudo e mais alguma coisa. Ser ou não ser, para Moita Flores, não é questão que se coloque. Um especialista em banalidades tem convicções sobre o caso Maddie, a polícia, os ladrões, o mar e o campo, o céu e a terra, os santos e os terroristas, as mensagens instantâneas e as comunicações encriptadas, os blogues, a Internet, o que se quiser. Acho que seria até capaz de dissertar sobre a psicologia da torneira da minha casa de banho, se isso implicasse um debate público. Obviamente, não precisava sequer de a usar. Quem viu uma torneira, viu todas.

No meu post acima mencionado escrevi o seguinte:

A melhor linha de defesa contra o uso indevido desta norma é começar por tentar definir se a suposta autoridade de alguém é relevante para o assunto em questão. Devemos também tentar separar a opinião da pessoa que a emite, de forma a avaliarmos os méritos desta e não a aceitarmos com base apenas no estatuto de quem a emitiu.

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GRUPOS DE MEDIAS AMERICANOS COMPRAM BLOGUES!

“Enquanto em Portugal os media continuam a ver na blogosfera o papão e um antro de criminalidade e perdição (nas palavras do comentador Moita Flores), os grupos de media americanos começaram a comprar blogues.
Esta semana cresceram os rumores sobre negociações entre a Time Warner AOL e o TechCrunch, com 20 a 30 milhões de dólares em cima da mesa.
TechCrunch O Techcrunch foi fundado há apenas 3 anos por Michael Arrington, que depressa se tornou numa figura à escala global.
É provavelmente o blogue mais lido em todo o mundo, tem quase 900.000 leitores por feed e muito mais que isso diariamente no website. Factura mensalmente entre 100 e 200 mil dólares em publicidade e tem já uma pequena rede de sites satélites, produzidos por uma equipa profissional que inclui jornalistas, contratados por Arrington assim que percebeu que tinha um bom negócio entre mãos.

Ver mais em Certamente!
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O tempo é fenomenológico. E como diferem os sentidos subjectivos do tempo.
E se juntarmos ao tempo um corpo fenomenológico? O que vemos? Um tempo corporal! Vemos um corpo vivido!
Através do corpo, ou seja, através dos modos de percepção do uso do próprio corpo, vamos tomando consciência de vários corpos: O meu corpo; o corpo que se evidencia aos outros; o corpo objecto de estudo; e o corpo da corporeidade. É deste corpo que me interesse falar: do corpo que me obriga a conhecer-me porque eu sou o meu corpo, como dizia algures um autor de referência num livro de referência.
Sinto que o meu tempo vivido é mais curto que o meu tempo contado. Paradoxalmente, sinto que a parábola da vida marcha, vertiginosamente, para uma fase descendente. É esta falta de homogeneidade no tempo vivido que me permite reescrever a história da vida sob diferentes matizes. Hoje é o tempo. Este continua a ser o meu tempo.

“Este é o tempo
da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura
Este é o tempo em que os homens renunciam.”

Sophia de Mello Breyner,
Mar Morto (1962)

É Obrigatório espreitar …

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O que é a Second Life?

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Entre a poesia e a reflexão, um pouco de humor …

Maltilde & C.ª do Professor Miguel

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“Uma novidade pode reforçar o arsenal da medicina contra a depressão. Grupos de pesquisadores estão testando a eficácia de marcapassos no controle dos sintomas da doença, […] Embora ainda experimentais, os estudos têm apresentado resultados animadores. O objectivo da implantação dos marcapassos é o mesmo dos medicamentos orais usados hoje contra a enfermidade. As duas estratégias têm como finalidade reequilibrar a concentração no cérebro de substâncias associadas às emoções.“ Eu achei essa idéia tão absurda que juro que nem soube por onde começar a comentar, escrevi e apaguei este primeiro parágrafo umas três vezes pois em todas acabei sendo “radical” demais ou ofendendo alguém. Melhor apenas defender minha postura: Eu não acredito que a depressão seja de origem genética nem que seja uma doença. Mas eu acredito que nosso corpo possui uma estrutura biológica herdada filogeneticamente para sentir, e em nossa ontogenia, ou seja, durante nosso desenvolvimento, esse corpo vai se adaptando ao meio que vivemos e em conjuntos de situações mais complexas como na perda de um ente querido, dificuldades financeiras, dificuldades de relações interpessoais, entre vários outras possíveis situações agravantes, acabamos adoptando comportamentos rotulados como depressivos e nem sabemos como chegamos até tal ponto, muito menos como sair dele. No final das contas, é tão estranho que parece até doença!

O mais engraçado é que apesar de todos esses avanços e pesquisas nos tratamentos medicamentosos para a depressão (e outros transtornos), a terapia comportamental ainda é a mais eficaz.

Mais sobre o assunto em:
BANACO, R. A., Auto-regras e Patologia comportamental. Em ZAMIGNANI, D. R. (org.) Sobre comportamento e Cognição: a aplicação da análise do comportamento e da terapia cognitivo-comportamental no hospital geral e nos transtornos psiquiátricos. Santo André, ESEtec, 2001. (Cap.12)”.

In Marcapasso contra Depressão

Artigo do Blog Ciência e Psicologia

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Vale a pena (re)lembrar:
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Estórias contadas com humor e verdade?

Uma diferença de 30 anos (1978 & 2008)

Situação: O Pedro está a pensar ir até ao monte depois das aulas, assim que entra no colégio mostra uma navalha ao João, com a qual espera poder fazer uma fisga:

Ano 1978: O director da escola vê, pergunta-lhe onde se vendem, mostra-lhe a sua, que é mais antiga, mas que também é boa.

Ano 2008: A escola é encerrada, chamam a Polícia Judiciária e levam o Pedro para um reformatório. A SIC e a TVI apresentam os telejornais desde a porta da escola.

Situação: O Carlos e o Quim trocam uns socos no fim das aulas:

Ano 1978: Os companheiros animam a luta, o Carlos ganha. Dão as mãos e acabam por ir juntos jogar matrecos.

Ano 2008: A escola é encerrada. A SIC proclama o mês anti-violência escolar, O Jornal de Notícias faz uma capa inteira dedicada ao tema, e a TVI insiste em colocar a Moura-Guedes à porta da escola a apresentar o telejornal, mesmo debaixo de chuva.

Situação: O Jaime não pára quieto nas aulas, interrompe e incomoda os colegas:

Ano 1978: Mandam o Jaime ir falar com o Director, e este dá-lhe uma bronca de todo o tamanho. O Jaime volta à aula, senta-se em silêncio e não interrompe mais.

Ano 2008: Administram ao Jaime umas valentes doses de Ritalin. O Jaime parece um Zombie. A escola recebe um apoio financeiro por terem um aluno incapacitado.

Situação: O Luís parte o vidro dum carro do bairro dele. O pai caça um cinto e espeta-lhe umas chicotadas com este:

Ano 1978: O Luís tem mais cuidado da próxima vez. Cresce normalmente, vai à universidade e converte-se num homem de negócios bem sucedido.

Ano 2008: Prendem o pai do Luís por maus tratos a menores. Sem a figura paterna, o Luís junta-se a um gang de rua. Os psicólogos convencem a sua irmã que o pai abusava dela e metem-no na cadeia para sempre. A mãe do Luís começa a namorar com o psicólogo. O programa da Fátima Lopes mantém durante meses o caso em estudo, bem como o Você na TV do Manuel Luís Goucha.

Situação: O Zézinho cai enquanto praticava atletismo, arranha um joelho. A sua professora Maria encontra-o sentado na berma da pista a chorar. Maria abraça-o para o consolar:

Ano 1978: Passado pouco tempo, o Zézinho sente-se melhor e continua a correr.

Ano 2008: A Maria é acusada de perversão de menores e vai para o desemprego.

Confronta-se com 3 anos de prisão. O Zézinho passa 5 anos de terapia em terapia. Os seus pais processam a escola por negligência e a Maria por trauma emocional, ganhando ambos os processos. Maria, no desemprego e cheia de dívidas suicida-se atirando-se de um prédio. Ao aterrar, cai em cima de um carro, mas antes ainda parte com o corpo uma varanda. O dono do carro e do apartamento processam os familiares da Maria por destruição de propriedade. Ganham. A SIC e a TVI produzem um filme baseado neste caso.

Situação: Um menino branco e um menino negro andam à batatada por um ter chamado ‘chocolate’ ao outro:

Ano 1978: Depois de uns socos esquivos, levantam-se e cada um para sua casa. Amanhã são colegas.

Ano 2008: A TVI envia os seus melhores correspondentes. A SIC prepara uma grande reportagem dessas com investigadores que passaram dias no colégio a averiguar factos. Emitem-se programas documentários sobre jovens problemáticos e ódio racial. A juventude Skinhead finge revolucionar-se a respeito disto. O governo oferece um apartamento à família do miúdo negro.

Situação: Tens que fazer uma viagem:

Ano 1978: Viajas num avião de TAP, dão-te de comer, convidam-te a beber seja o que for, tudo servido por hospedeiras de bordo espectaculares, num banco que cabem dois como tu.

Ano 2008: Entras no avião a apertar o cinto nas calças, que te obrigaram a tirar no controle. Enfiam-te num banco onde tens de respirar fundo para entrar e espetas o cotovelo na boca do passageiro ao lado e se tiveres sede o hospedeiro maricas apresenta-te um menu de bebidas com os preços inflacionados 150%, só porque sim. E não protestes muito pois quando aterrares enfiam-te o dedo mais gordo do mundo pelo cú acima para ver se trazes drogas.

Situação: Fazias uma asneira na sala de aula:

Ano 1978: O professor espetava duas valentes lostras bem merecidas. Ao chegar a casa o teu pai dava-te mais duas porque ‘alguma deves ter feito’

Ano 2008: Fazes uma asneira. O professor pede-te desculpa. O teu pai pede-te desculpa e compra-te uma Playstation 3.

Situação: Chega o dia de mudança de horário de Verão para Inverno:

Ano 1978: Não se passa nada.

Ano 2008: As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão e caganeira.

Situação: O fim das férias:

Ano 1978: Depois de passar 15 dias com a família atrelada numa caravana puxada por um Fiat 600 pela costa de Portugal, terminam as férias. No dia seguinte vai-se trabalhar.

Ano 2008: Depois de voltar de Cancún de uma viagem com tudo pago, terminam as férias. As pessoas sofrem de distúrbios de sono, depressão, seborreia e caganeira.

(recebido via e-mail)

Nota: alguma semelhança com a realidade é pura coincidência

In Revisitar a Educação

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ACREDITEM

Era uma vez uma senhora que tinha três cães. Um era já velhote. Outro, assim assim. O terceiro era um cachorro ladino, que nunca estava quieto. Os três da mesma raça. Não me perguntem qual, porque nisso de marcas de cães e raças de automóveis – perdão! – de raças de cães e marcas de automóveis sou muito ignorante. O cão velho, deitado no capacho da entrada, vendo o mais novo a correr atrás de uma aranha, de uma borboleta, até da própria sombra, comentava para o cão do meio:— Também já fui assim.— Não acredito — latia o cachorrinho, sem deixar de correr. — Tu nunca brincaste.— Brinquei, podes estar certo. E, às vezes, ainda me apetece. Se não me sentisse tão pesado, ainda te apanhava.— Não acredito — insistia o cachorrinho, de riso nos dentes muito brancos.— Mas deves acreditar — aconselhou o cão do meio. — Nós que somos mais velhos, já fomos tão ligeiros como tu.— Não acredito — teimava o cachorrinho, sempre a correr.— Como é que havemos de convencê-lo que já passámos pela idade dele e que ele há-de chegar à nossa? — perguntou o cão do meio ao cão mais velho.— Vai ser difícil — concluiu o cão velhote, sem se despegar do capacho. A senhora, dona dos três cães, que toda esta conversa ouvira ou adivinhara, trouxe um álbum de fotografias, poisou o cachorrinho no colo e mostrou-lhe:— Este é o retrato do velho Piloto, quando ainda só comia sopinhas de leite. A fotografia está tremida, porque ele era um vivo demónio. Nunca se cansava de correr.— Não acredito — protestava o cachorrinho, no colo da dona.Páginas adiante, a senhora apontou outro cãozinho de grandes olhos brilhantes e orelhas espetadas: — Este é o Xana, quando veio cá para casa, dentro de um cestinho. Era um brincalhão.— Não acredito — insistia o cachorrinho, de riso nos dentes muito brancos.E sem querer saber de mais histórias antigas, o cãozinho soltou-se das mãos da dona e desatou a correr.Não acreditava, não acreditava, não acreditava que aqueles dois cãozarrões sisudos, muito dignamente sentados nas patas traseiras, já tivessem sido como ele. Era mentira. Era impossível. Era um disparate. Não acreditava, pronto. Mas, com o tempo, acabou por acreditar…

António Torrado
www.historiadodia.pt
(via clube contadores de histórias)

IN TERREAR

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visualizar …

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black OR white

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É importante ter amigos…