Iniciando o ano com reflexões …

educacao

Não há nada que tenha ocupado tanto o meu pensamento quanto a educação.

Não acredito que exista coisa mais importante para a vida dos indivíduos e do país que a educação. A democracia só é possível se o povo for educado. Mas ser educado não significa ter diploma superior. Significa ter a capacidade de pensar. Diplomas somente atestam que aqueles que os têm são portadores de um certo tipo de conhecimento.

Mas ser portador de um certo tipo de conhecimento não é saber pensar.

É ter arquivos cheios de informações. Nossas universidades são avaliadas pelo número de artigos científicos que seus cientistas publicam em revistas internacionais em línguas estrangeiras. Gostaria que houvesse critérios que avaliassem nossas universidades por sua capacidade de fazer o povo pensar. Para a vida do país, um povo que pensa é infinitamente mais importante que artigos publicados para o restrito clube internacional de cientistas.

É muito fácil continuar a repetir as rotinas, fazer as coisas como têm sido feitas, como todo mundo faz. As rotinas e repetições têm um curioso efeito sobre o pensamento: elas o paralisam. A nossa estupidez e preguiça nos levam a acreditar que aquilo que sempre foi feito de um certo jeito deve ser o jeito certo de fazer. Mas os gregos sabiam diferente: sabiam que o conhecimento só se inicia quando o familiar deixa de ser familiar; quando nos espantamos diante dele; quando ele se transforma num enigma. “O que é conhecido com familiaridade”, diz Hegel, “não é conhecido pelo simples fato de ser familiar”.

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Intervalando
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2070479
Amigo(a)

“se tens condições económicas minimamente suficientes para viver uma vida decente e poderes estudar, se tens a impressão de que consegues fazer coisas bem feitas, se te sentes frustrado(a) por não teres visibilidade, não te preocupes com isso.
Não te feches num casulo, mas vai contra-corrente.
Faz em ti a única revolução possível.
Mantém a serenidade quando todos estiverem loucos.
Mantém a distância quando todos se pegarem.
E continua a estudar e a fazer. Não é a produzir como uma máquina. É a fazer coisas interessantes, a descobrir.
Não ligues demasiado ao ambiente, se puderes, porque o ambiente é poluído e as notícias sobre ele, em 90% dos casos, ainda o poluem mais.
Não te feches num claustro, mas visita claustros, e demora-te aí.
Contempla as grandes obras dos homens e mulheres da arte, da ciência, da filosofia. Tenta entendê-los.
Não vivas crispado. Não vivas a mando de outrém, senão no indispensável para ganhares a vida.
Sê soberano.
Não te preocupes com o silêncio dos outros. Um dia outros hão-de vir e apreciar o que fizeste. Pode ser depois da tua morte, mas se tu já o pressentires agora, isso far-te-á mais livre e feliz.
Não sejas corroído pela inveja, pelo medo, pela ansiedade, pela nostalgia.
Não queiras sentir uma felicidade estrondosa. Acolhe a felicidade possível de cada dia, apesar do atrito.
E chegará o momento em que farás algo, e ao olhares esse algo que fizeste, no meio da sociedade que te obriga a gozares como se fosse um castigo, diz assim para ti:
talvez, apesar de todo o aleatório de eu estar aqui, talvez tenha valido a pena, apesar do sem-sentido de tudo isto.
O importante é a consciência tranquila de que deste o melhor, honestamente, sem artifícios nem jogos, com um grande empenhamento, com uma grande força de vontade.
E nunca contes que leste isto aqui, estes conselhos morais, porque não estão de moda.
Marimba-te para a moda, para o que está a dar, para os jogos dos que vivem colados ao presente, aos interesses, robots da agitação frenética.
Sê soberano. Traça sobre o peito as fitas da tua independência. Dá a mão ao amor, por efémero que seja; e se conseguires, luta por que não seja tão efémero assim. Paira acima do sofrimento.
Não abdiques do essencial. Não há nenhuma lei, ou ordem, que não seja fabricada por uns quantos seres humanos, para servir os seus interesses.
Cumpre as regras para não dares pretextos a ninguém de te maçar. E no momento seguinte, esquece-te de tudo, ama o teu amor, habita o aconchego das árvores, planta uma árvore no meio do mar e embebe os olhos de verde e de azul.
Longe de qualquer costa.
Estuda o que os melhores fizeram antes de ti. E faz também. Não te preocupes com a publicidade. Vive longe do frenesim, da ganância, dessa obscenidade”.
Vitor Oliveira (Trans-Ferir)
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ESPERANÇA
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“Neste espaço a si próprio condenado,
dum momento para o outro pode entrar
um pássaro que levante o céu”
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.Alexandre O’Neill

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