Arquivo do mês: junho 2009

Sem tempo para ser criança …

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Artigo de Paula Alves Silva

“Numa altura em que o tempo é escasso e a escola ocupa quase 100% do tempo das crianças, a investigadora Maria José Araújo, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto lança um alerta: é “urgente” dar espaço aos mais novos para brincar.

São crianças, mas incutem-lhes responsabilidades de adultos. Passam quase a totalidade do dia na escola, enquanto os pais se encontram no trabalho. Não há problema quanto à escola a tempo inteiro, o problema está nas actividades que são oferecidas às crianças.

“Há um excesso de actividade escolarizada, em detrimento da actividade lúdica. As nossas crianças não brincam”.

O alerta é de Maria José Araújo, investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativa da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mas é também um aviso de vários observadores, lembra Maria José Araújo.

“É urgente respeitar o brincar das crianças e reabilitar o sentido da actividade lúdica”, sublinha a investigadora. Maria José Araújo está consciente de que o prolongamento do horário de funcionamento das escolas primárias, em vigor desde 2006, é “inegavelmente” uma medida “socialmente útil”.

No entanto, destaca que é essencial que as actividades organizadas possam ir de encontro aos interesses das crianças. Cabe aos adultos proporcionar o espaço, a segurança e os materiais necessários aos mais novos.

Actividades lúdicas e culturais. É esta a aposta da especialista, que diz que as actividades não se devem esgotar nas “programadas e organizadas em função da aprendizagem escolar”.

As crianças devem, de acordo com Maria José Araújo, ter “liberdade para poder descobrir o mundo”.

Oferecer às crianças actividades diversificadas. Os jogos de Playstation são uma das principais apostas da investigadora. “Estamos perante uma nova literacia, a digital, que neste momento não é compreendida por todos da mesma forma”.

A investigadora salienta que “os bons jogos de vídeo têm imensas potencialidades que os adultos, que não jogam, não conhecem e desprezam”.

As sugestões da investigadora não se esgotam nos videojogos. Dentro de portas, Maria José Araújo defende que as escolas devem oferecer “boas” bibliotecas com material variado e atractivo. Livros, jogos e revistas são alguns exemplos.

Fora das salas, a observadora incentiva os professores a realizarem actividades ligadas ao cinema, teatro e música para dar a conhecer aos mais novos o mundo das artes. Por outro lado, Maria José Araújo defende a necessidade de se reabilitarem os jardins das cidades.

A investigadora entrevistou vários professores que salientaram a ausência de condições de trabalho na escola e algumas deficiências no programa Escola a Tempo Inteiro. Falta de instrumentos e de salas preparadas para se poderem desenvolver actividades são os principais pontos sublinhados.

Segundo vários directores de escola, as actividades funcionam de acordo com a boa vontade dos professores. O Ministério da Educação desconhece o que se passa, afirmaram à investigadora.

O estudo foi realizado no âmbito da tese de doutoramento que a investigadora está a desenvolver “Tempos de crianças e tempos de alunos”, com crianças entre os 6 e os 12 anos.

A análise deverá estar concluída em 2010″.

In Canalup.tv

Afinal nem todos os seres vivos usam o mesmo código genético …

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04/06/2009 – Investigadores da UA descobrem alteração ao código genético e invalidam um dos dogmas centrais da Biologia

” O artigo publicado hoje na Nature dá a conhecer a descoberta de uma importante alteração no mecanismo de síntese das proteínas, que invalida o dogma central da Biologia de que todos os seres vivos usam o mesmo código genético, abrindo novas e importantes oportunidades para o desenvolvimento de drogas contra os fungos patogénicos.

Esta quinta-feira, 4 de Junho, um consórcio internacional liderado por investigadores do Broad Institute – Instituto conjunto da Universidade de Harvard e do MIT ? que integra um grupo de investigadores do Departamento de Biologia da UA e do seu Laboratório Associado CESAM, publica um artigo na Nature com os resultados de uma investigação que apresenta a sequenciação e anotação dos genomas de oito fungos patogénicos.

A investigação desenvolvida pelo grupo de Biologia do RNA do CESAM, coordenado pelo investigador do Departamento de Biologia da UA Prof. Manuel Santos, no seio do consórcio internacional liderado por investigadores do Broad Institute, mostram como oito fungos patogénicos interagem com o sistema imunitário e como causam infecção, revelando, ainda, características fundamentais dos seus genomas que permitem compreender a sua ecologia, mecanismos de reprodução e adaptação.

Os investigadores da UA estudaram o código genético destes fungos e descobriram uma alteração no mecanismo de síntese de proteínas, que contradiz o dogma central da biologia de que todos os seres vivos usam o mesmo código genético. Esta descoberta tem importantes implicações para compreendermos a evolução do código genético e a origem da vida.

Como se pode ler no artigo, os fungos do género Candida são a maior causa de infecções fúngicas oportunistas a nível mundial. O artigo reporta as sequências dos genomas de oito espécies de Candida e compara os genomas de fungos patogénicos e não patogénicos.

Nos fungos patogénicos existe uma expansão significativa no número de genes que codificam componentes das paredes celulares e de proteínas excretadas, bem como de outras proteínas envolvidas no transporte de nutrientes do meio ambiente para o interior das células, o que sugere adaptações associadas à patogénese nestes fungos. Em três das espécies diplóides grandes regiões do genoma são homozigóticas, sugerindo recombinação recente dos seus genomas.

Surpreendentemente, em algumas das espécies não foi possível encontrar vários dos componentes que controlam o mecanismo de divisão celular, o que levanta novas questões sobre a maneira como estes fungos se produzem.

A análise do código genético destes fungos relevou que os codões CUG, que no código genético dos outros seres vivos codificam o amino ácido leucina, alteraram a sua identidade para o amino ácido serina.

Os resultados mostram que 99% dos codões CUG originais desapareceram destes genomas e que reemergiram em novas posições nos genes com um significado diferente. Por último, o estudo revê o catálogo dos genes do principal fungo patogénico Candida albicans, identificando inúmeros genes novos”.

O artigo está disponível para leitura em www.nature.com

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O CÓDIGO GENÉTICO
Código genético é a relação entre a sequência de bases no DNA (ADN) e a sequência correspondente de aminoácidos, na proteína. Ele é equivalente a uma língua e é constituído basicamente por um dicionário de palavras, a tabela do código genético e por uma gramática, correspondente às propriedades do código que estabelece como a mensagem codificada no material genético é traduzida em uma sequência de aminoácidos na cadeia polipeptídica.

O código genético forma os modelos hereditários dos seres vivos. É nele que está toda a informação que rege a sequência dos aminoácidos codificada pelo encadeamento de nucleotídeos. Estes são compostos de desoxirribose, fosfato e uma base orgânica, do tipo citosina, adenina, guanina ou timina.