Sem tempo para ser criança …

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Artigo de Paula Alves Silva

“Numa altura em que o tempo é escasso e a escola ocupa quase 100% do tempo das crianças, a investigadora Maria José Araújo, da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto lança um alerta: é “urgente” dar espaço aos mais novos para brincar.

São crianças, mas incutem-lhes responsabilidades de adultos. Passam quase a totalidade do dia na escola, enquanto os pais se encontram no trabalho. Não há problema quanto à escola a tempo inteiro, o problema está nas actividades que são oferecidas às crianças.

“Há um excesso de actividade escolarizada, em detrimento da actividade lúdica. As nossas crianças não brincam”.

O alerta é de Maria José Araújo, investigadora do Centro de Investigação e Intervenção Educativa da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade do Porto. Mas é também um aviso de vários observadores, lembra Maria José Araújo.

“É urgente respeitar o brincar das crianças e reabilitar o sentido da actividade lúdica”, sublinha a investigadora. Maria José Araújo está consciente de que o prolongamento do horário de funcionamento das escolas primárias, em vigor desde 2006, é “inegavelmente” uma medida “socialmente útil”.

No entanto, destaca que é essencial que as actividades organizadas possam ir de encontro aos interesses das crianças. Cabe aos adultos proporcionar o espaço, a segurança e os materiais necessários aos mais novos.

Actividades lúdicas e culturais. É esta a aposta da especialista, que diz que as actividades não se devem esgotar nas “programadas e organizadas em função da aprendizagem escolar”.

As crianças devem, de acordo com Maria José Araújo, ter “liberdade para poder descobrir o mundo”.

Oferecer às crianças actividades diversificadas. Os jogos de Playstation são uma das principais apostas da investigadora. “Estamos perante uma nova literacia, a digital, que neste momento não é compreendida por todos da mesma forma”.

A investigadora salienta que “os bons jogos de vídeo têm imensas potencialidades que os adultos, que não jogam, não conhecem e desprezam”.

As sugestões da investigadora não se esgotam nos videojogos. Dentro de portas, Maria José Araújo defende que as escolas devem oferecer “boas” bibliotecas com material variado e atractivo. Livros, jogos e revistas são alguns exemplos.

Fora das salas, a observadora incentiva os professores a realizarem actividades ligadas ao cinema, teatro e música para dar a conhecer aos mais novos o mundo das artes. Por outro lado, Maria José Araújo defende a necessidade de se reabilitarem os jardins das cidades.

A investigadora entrevistou vários professores que salientaram a ausência de condições de trabalho na escola e algumas deficiências no programa Escola a Tempo Inteiro. Falta de instrumentos e de salas preparadas para se poderem desenvolver actividades são os principais pontos sublinhados.

Segundo vários directores de escola, as actividades funcionam de acordo com a boa vontade dos professores. O Ministério da Educação desconhece o que se passa, afirmaram à investigadora.

O estudo foi realizado no âmbito da tese de doutoramento que a investigadora está a desenvolver “Tempos de crianças e tempos de alunos”, com crianças entre os 6 e os 12 anos.

A análise deverá estar concluída em 2010″.

In Canalup.tv

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