Arquivo do mês: janeiro 2010

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À procura do primeiro dinossauro moçambicano …

“Ricardo Araújo e Rui Castanhinha partiram numa aventura a Moçambique, no Verão passado, com uma ideia fixa: encontrar o primeiro dinossauro daquele país. Saiu-lhes na rifa algo ainda mais antigo e raro, que agora revelaram: o fóssil de um antepassado comum a todos os mamíferos, com 250 milhões de anos, quando ainda faltavam 30 milhões de anos para aparecerem os primeiros dinossauros”.

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sobre dinassauros

Quem são os melhores professores?

Li, há algum tempo, na habitual crónica semanal de Miguel Santos Guerra, o relato de uma investigação (1) que procura responder à questão que titula a presente crónica. Aqui a retomo, no modo de paráfrase.

A primeira dificuldade que o estudo teve de enfrentar teve a ver com o conceito de melhor professor: é aquele cujos alunos conseguem excelentes resultados, mas terminam os estudos odiando a matéria?
É o que consegue cultivar de forma privilegiada as genialidades que há em cada aluno?
É aquele cujos alunos dizem que é um magnífico companheiro, ainda que não aprendam nada de significativo?
Definidos os critérios, seguem-se os procedimentos metodológicos (observação, entrevistas) para conhecer como concebem a docência, como preparam as aulas, que métodos utilizam, que avaliações fazem e como se relacionam com os estudantes e com os colegas docentes.

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De entre as qualidades assinaladas, destacam-se dez características.
Os melhores professores:

i) Geram expectativas positivas. Evitam a linguagem das exigências e utilizam o vocabulário das expectativas no seu lugar. Convidam em vez de ordenar, assumem atitudes mais de cooperação do que de julgamento. Acreditam, confiam, exigem, motivam;

ii) Partem do quotidiano. Não se limitam a debitar a matéria do alto do seu saber e ajudam os estudantes a entenderem as conexões entre assuntos correntes e questões mais gerais e fundamentais.
Sabem que a sua disciplina é uma parte do universo científico e que a missão de uma parcela do conhecimento é compreender e intervir no mundo e na vida;

iii) Dominam a matéria que ensinam. Conhecem em detalhe a matéria que leccionam. São eruditos, artistas, intelectuais activos. Alguns possuem uma lista impressionante de publicações. Mas não fazem da ostentação um lugar comum, cultivando antes a humildade científica;

iv) Esperam mais. Tendem a mostrar uma grande confiança nas capacidades dos seus estudantes. Estão seguros de que os alunos querem aprender, e assumem, até demonstração em contrário, que podem fazê-lo;

v) São abertos. Não seguem um guião didáctico rígido. Amiúde, mostram-se receptivos a que os seus estudantes falem da sua aventura intelectual, das suas ambições, dos seus medos, triunfos e fracassos. A vida pessoal e social também tem lugar nas suas aulas;

vi) Gostam de ensinar. Preparam as aulas, programam as discussões e a resolução de problemas, são exigentes consigo mesmos e com os seus estudantes;

vii) Fazem auto-crítica. Não culpam os estudantes por tudo o que de mal acontece no processo e nos resultados de ensino. Também se questionam e aceitam rever atitudes e procedimentos;

viii) Criam contextos favoráveis para a aprendizagem que estejam o mais próximo possível dos ambientes reais;

ix) Evitam a arbitrariedade, clarificam as regras do jogo avaliativo, colocam a avaliação e a classificação ao serviço de novas aprendizagens;

x) Constroem comunidade, isto é, mantêm um forte compromisso com a comunidade académica e não se interessam apenas com o êxito dentro da sua sala de aula.
Eis algumas das características dos melhores professores universitários. Mas que certamente podem também servir de referência para a docência em geral.

(1) A investigação incide sobre a docência universitária. De qualquer modo, há características que podem ser universais”.

(inicialmente publicado no Correio da Educação.)

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Miguel Ángel Santos Guerra é catedrático de Didáctica e Organização Escolar na Universidade de Málaga. Foi professor de todos os graus de ensino do sistema educativo espanhol. Leccionou no Ensino Primário, no Ensino Secundário, na Universidade Complutense e noutras universidades estrangeiras. Foi director de um estabelecimento de ensino e do Instituto de Ciência da Universidade de Málaga. É autor de numerosos artigos e de diversas obras sobre a organização escolar, avaliação educativa e formação de professores. É director do Departamento de Didáctica e Organização Escolar da Universidade de Málaga.

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Relação entre cancro infantil e poluição

“Foi publicado na revista European Journal of Cancer um artigo que relaciona a poluição ambiental à produção de vários tipos de câncer nas crianças. Na Europa, o câncer entre as crianças cresceu à taxa de 1,1% ao ano, nos últimos 20 anos.

Agentes tóxicos no nosso meio ambiente são os maiores responsáveis por este problema e estão dia-a-dia mais presentes no nosso mundo.

Cientistas que participaram dessa pesquisa afirmam que esse aumento é tão expressivo e consistente para ser menosprezado por varias correntes da Ciência que apenas se desculpam considerando que os métodos diagnósticos modernos propiciaram descobertas da doença com mais facilidade.

As verdadeiras causas situam-se entre mudanças no estilo de vida, alimentação com excesso de processamento e exposição a diversos elementos tóxicos ambientais.

Vários tipos de câncer foram detectados em muitos países mas a maior incidência é a de leucemia, entre as crianças.
A cada dia que passa, mais e mais elementos tóxicos são colocados à nossa frente, seja no ar, na alimentação, na água e ate mesmo nos medicamentos. O fumo, álcool e as drogas são coadjuvantes nesse processo cujo resultado final é a doença grave e, consequentemente, a morte”.

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10 Descobertas Científicas Nacionais em 2009

Investigação nacional

Dez descobertas científicas de 2009 com selo português

Desde perspectivas de tratamento de doenças como o cancro

à descoberta de novas espécies


“Investigadores portugueses, dentro ou fora de portas, marcaram pontos em 2009. Alguns estiveram mesmo na base de descobertas de grande impacto internacional. A detecção de ADN com uma vulgar impressora, a descodificação do genoma do cancro da mama ou a descoberta de novos planetas são alguns dos avanços envolvendo cientistas nacionais que marcaram o ano que terminou.

Descodificador do genoma do cancro da mama, em português

“Foi como passar o dia todo a subir uma montanha e, no fim, chegar ao cume e admirar aquela paisagem toda.” Foi assim que Samuel Aparício descreveu ao DN o momento em que percebeu que ele e a sua equipa do BC Cancer Agency tinham descodificado o genoma do cancro da mama. Uma descoberta que pode abrir portas para um tratamento diferenciado de cada fase do cancro, explica o investigador, que promete continuar a trabalhar nesta investigação: “Foi um primeiro passo. Mas há muito para fazer.” Nascido em Lisboa, mas a viver desde os cinco anos em Inglaterra – os pais emigraram de Vila Franca de Xira para Leeds -, a sua formação médica foi feita entre as afamadas universidades de Cambridge e Oxford. Com a sua equipa descodificou o genoma do cancro da mama, o que lhes valeu aparecer na capa da Nature. A motivação para se dedicar ao tema foi pessoal. A morte da mãe com cancro da mama, quando Samuel fazia o estágio em Medicina interna e patológica, foi um dos impulsos para seguir a investigação oncológica.

Sensor de ADN barato e amigo do ambiente

Já do mesmo “forno” do célebre transístor de papel português saiu, em 2009, um sensor de ADN barato e amigo do ambiente. Pela primeira vez foi estabelecido um método de detecção de ADN usando uma vulgar impressora de jacto de tinta, com recurso a materiais e tecnologia de baixo custo. O novo sensor, desenvolvido por uma equipa conjunta dos departamentos de Ciência dos Materiais e Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, foi publicado pela revista Biosensors and Bioelectronics. Um trabalho feito por cientistas nacionais e em Portugal. A aplicação prática deste sensor consiste na sua inclusão num sistema de diagnóstico “que pode prevenir, fazer um rastreio de uma forma extremamente simples, rápida e barata, e detectar se as pessoas estão doentes ou não”, explicou Elvira Fortunato, especialista em microelectrónica.

Portugal tem o maior conjunto de fósseis de trilobites do mundo

O País entrou, em 2009, no mapa da paleontologia com o maior e mais completo conjunto de fósseis de trilobites do mundo. Foi descoberto na região de Arouca, perto de Aveiro, por uma equipa de paleontólogos espanhóis e portugueses. Entre os fósseis encontrados estão também os maiores exemplares conhecidos. Isto porque até agora, os restos destes seres pré-históricos, que dominaram os mares até há 250 milhões de anos, não ultrapassavam os 10 centímetros de comprimento, mas os de Arouca chegam aos 30. Alguns restos mostram que os exemplares podiam atingir mesmo os 90 centímetros. A descoberta foi publicada na revista Geology.

… e baptizou nova espécie de dinossauro

Mas no das descobertas pré-históricas, o País foi mais além, baptizando um novo dinossauro o Miragaia longicollum. A nova espécie foi descoberta na Lourinhã pela equipa do paleontólogo Octávio Mateus, do museu daquela localidade e da Universidade Nova de Lisboa. Este é um novo estegossauro que os seus descobridores baptizaram de Miragaia longicollum, um nome cheio de significados. Entre eles, o de pescoço comprido, uma das imagens de marca da espécie. O artigo descrevendo o novo dinossauro, que viveu no Jurássico Superior (há 150 milhões de anos), publicado na Proceedings of the Royal Society, pela equipa liderada por Octávio Mateus, culminou um trabalho de dez anos.

32 novos planetas com a marca de um português

Em 2009 foi anunciada a descoberta de 32 planetas fora do sistema solar. O responsável pela divulgação, que aconteceu no Porto, foi Nuno Cardoso Santos, investigador do Centro de Astrofísica da Universidade do Porto e membro da equipa que fez a descoberta e que fez com que a barreira dos 400 planetas extra-solares “tenha sido ultrapassada”. Os planetas encontrados são “gigantes”, como explicou o cientista: “A maioria é semelhante a Júpiter”, explicou o investigador português.

Trabalham em Portugal os melhores em cardiotocografia

João Bernardes e Diogo Ayres de Campos, obstetras, professores e investigadores do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, foram considerados, respectivamente, o primeiro e terceiro melhores inves- tigadores do mundo em cardiotocografia pela BioMedExperts. A cardiotocografia é a monitorização contínua da frequência cardíaca do feto e das contracções uterinas da grávida. Com este exame, cujo resultado é semelhante a um traçado de eletrocardiograma, o médico pode avaliar se o cérebro do feto não está a receber oxigénio suficiente por motivos da placenta, de posicionais ou compressões do cordão umbilical, detectando situações como o “cordão enrolado no pescoço”. O título foi atribuído pela BioMedExperts, uma comunidade online que junta, via Internet, 1,5 milhões de cientistas de todo o mundo. João Bernardes e Diogo Ayres de Campos criaram, em colaboração com o Instituto de Engenharia Biomédica (INEB), um programa informático de grande impacto na prática clínica na área da obstetrícia – o OmniView-SisPorto. Este programa efectua uma leitura dos sinais provenientes do feto, identificando situações relacionadas com a baixa oxigenação. O sistema emite ainda alertas automáticos que são recebidos pelos profissionais de saúde em qualquer ponto com acesso à rede informática hospitalar ou à Internet.

Descoberta nova espécie…

Carlos Afonso, um biólogo do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve descobriu, durante um mergulho, uma nova espécie de búzio. O minúsculo Fusinus albacarinoides foi encontrado durante um trabalho de campo em 2009 e que tinha como objectivo traçar um mapa da biodiversidade da costa algarvia. Foi a primeira vez que este gastrópode foi identificado e registado a nível mundial. “Começámos a descobrir indivíduos desta nova espécie a partir de 2002 e 2003, entre as zonas marítimas de Albufeira e Armação de Pêra”, disse Carlos Afonso. A nova espécie tem cerca de vinte milímetros de comprimento e oito de diâmetro. E embora o género Fusinus seja bastante comum e exista um pouco por todo o mundo, a nova espécie foi, para já, apenas identificada na costa algarvia, diz a equipa de biólogos da Universidade do Algarve. “Acreditamos que é endémica da nossa costa”, frisou o biólogo que, apesar de ter 36 anos, já não é um novato na matéria de descobertas.

Ajudar a controlar as células imunitárias

Ainda no campo da saúde, outra descoberta portuguesa de 2009 correu mundo. Uma equipa de investigadores da Unidade de Imunologia Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa descobriu como se podem identificar e controlar células imunitárias. O objectivo é conseguir levar os linfócitos T a actuar apenas contra as infecções e para que não promovam doenças auto-imunes como a diabetes. Tratam-se de células responsáveis pela defesa do organismo contra infecções ou pelo desenvolvimento de doenças auto-imunes. A descoberta feita vem com o objectivo de controlar os linfócitos T para actuarem contra infecções e não para promoverem doenças como a diabetes. O estudo, realizado em Portugal por especialistas nacionais em colaboração com equipas estrangeiras, foi publicado na edição online da prestigiada revista científica Nature Immunology. “Descobrimos uma maneira de diferenciar duas populações de linfócitos T que produzem factores com actividades biológicas distintas”, disse o responsável pela equipa, Bruno Silva Santos.

Novo tratamento para o Alzheimer e Parkinson

Investigadores portugueses lideram um consórcio europeu de cinco parceiros criado para produzir um novo medicamento com propriedades analgésicas e que poderá ser usado na terapia das doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson. O projecto para desenvolver um novo produto arrancou no ano passado e deverá durar quatro anos. Miguel Castanho, do Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, explicou que o novo medicamento resultou da transformação de uma molécula isolada do cérebro de mamíferos por cientistas japoneses nos anos 70, mas posteriormente abandonada por falta de interesse farmacológico. O que este grupo de investigadores conseguiu foi “transformar a molécula de modo a poder ser introduzida na corrente sanguínea, passando daí ao cérebro, mantendo as suas propriedades analgésicas e de protecção contra as doenças neurodegenerativas”.

Telhas ‘bonitas’ e que alimentam o resto da casa

E quem pensa nas telhas de uma qualquer casa assume apenas o papel de proteger a casa do clima, engana-se. Um grupo de investigadores das universidades do Minho e da Nova de Lisboa apostam no contrário e estão a desenvolver um projecto de construção de telhas, mas com capacidade de produção de energia fotovoltaica. Um dia destes, todo o telhado de uma habitação será o seu principal ponto de fornecimento de energia, garantem os especialistas. Este projecto, na fase de protótipo, mas já a despertar interesse de várias empresas, é ainda um segredo bem guardado. E é aqui que “entra” um outro projecto Solar Tiles. Esta tecnologia, tem sido alvo de grande interesse por ser gerador de “uma energia eléctri-ca amiga do ambiente e econo-micamente atractiva”. Mas apesar da utilidade, a sua aparência inestética pode ser um entrave à comercialização. Para isso tem vindo a criar-se um novo conceito, Building Integrated Photovoltaics, que consiste em aplicar estes equipamentos como elementos estruturantes dos edifícios, substituindo os materiais convencionais”.