Arquivo da categoria: educação

Entre o nós e o eu ……

Artigo do Prof.º Doutor Raúl Iturra, intitulado “nas dissertações, nós ou eu?”

“…para Ricardo Neve Vieira, o meu melhor discípulo….


Umberto Eco, no seu livro Como se Faz Uma Tese em Ciências Humanas? recomenda o uso do nós. Existem outros que exigem esta posição aos seus orientados e ainda outros que não se manifestam, sendo-lhes indiferente.

Mas, contudo, quando a natureza dos estudos tiver uma componente etnográfica e porque o trabalho etnográfico vive do eu do investigador? (Silva, 2003, p. 71), e também porque todo o texto etnográfico deve sempre utilizar a primeira pessoa do singular? (Ball, cit. ibidem), parece-me que será mais indicado seguir este caminho.

Como as características da abordagem qualitativa se confundem com as características do método etnográfico, sendo esta comparação acentuada na obra de Bogdan e Biklen (1994), de Caria (2002) e de Silva (2003), não fosse a referência à descrição profunda? (Bogdan e Biklen, 1994, p. 59) ou ao vocabulário diferente? (ibidem), onde acrescentam que actualmente os investigadores utilizam o termo etnografia quando se referem a qualquer tipo de estudo qualitativo, uma vez que ambos acentuam a vertente descritiva relativamente a conversas e pormenores com pessoas e locais, o uso do eu numa investigação predominantemente qualitativa (intensiva) tem todo o sentido.

Outras das razões é a coerência descritiva, e evitar alguns contra-sensos sem qualquer lógica, como por exemplo afirmar que somos presidentes do conselho executivo na Escola.

Parece-me também, que não se deve responsabilizar ou mesmo abusar do orientador, afirmando que nós vislumbrámos, quando de facto fui eu que vislumbrei. No entanto, a demarcação de qualquer pretensiosismo que esta posição possa sugerir é essencial, pois, na verdade, não pode existir senão humildade em trabalhos com este cariz.

Até porque, dados as inúmeras, evidentes e naturais indicações com constantes alertas no sentido de reencontrar o caminho e escolha dos instrumentos mais adequados por parte do orientador, os nós, nesta perspectiva, seria mais apropriado.

Ou seja, dever-se-á considerar o eu como sendo um nós, como afirmou, Ricardo Vieira nas suas provas de agregação (15-Mar-2006 no ISCTE), em frente a António Nóvoa, Luísa Cortesão, Raul Iturra, entre outros.

No que se refere à abordagem extensiva (quantitativa), o infinitivo, parece ser o mais adequado, pois trata-se de constatações que todos podem facilmente verificar.

Não sou eu nem somos nós, digamos que é quem se der ao trabalho de analisar essas asserções.

Se existir uma triangulação, entendida como uma combinação de metodologias no estudo dos mesmos fenómenos (Bourdieu, 1989, p. 25), entre a abordagem intensiva e a abordagem extensiva, acentuado pelo mesmo autor (ibidem) como uma forma de tornar um plano de investigação mais sólido, não deverá chocar ninguém ver os géneros correspondentes em cada uma das partes.

Referências bibliográficas:

•BOGDAN, Robert; BIRKEN, Sari: Investigação Qualitativa em Educação. Porto: Porto Editora, 1994

•BOURDIEU, Pierre: O Poder Simbólico. Lisboa: Difel, 1989

•CARIA, Telmo (org.): Experiência Etnográfica em Ciências Sociais. Porto: Afrontamento, 2002

•SILVA, Pedro: Etnografia e Educação. Reflexões a Propósito de uma Pesquisa Sociológica. Porto: Profedições, 2003

Daqui …

Trata-se de um artigo cedido pelo próprio para publicação no DOCTORICES, tendo sido publicado no Aventar em 26 de Junho.

Mais uma vez, Obrigada.

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Professores … Cangurus do Ensino …

“Com todas as evoluções que o mundo universitário tem feito para acolher as constantes mudanças sociais, económicas e culturais a que tem sido sujeito, um dos seus principais desafios é fazer com que os seus professores se adaptem a uma nova realidade em que o ensino superior não se limita mais a uma mera transmissão de conhecimento.

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“Tradicionalmente, os professores eram os mestres na sala de aula e os guardiões do conhecimento”, lembra Santiago Iñiguez de Onzoño, reitor do IE.

No entanto, os novos meios de educação exigem que os docentes funcionem mais como maestros e catalisadores de ensino. Alguns académicos encaram esta situação com medo. Não entendem os novos estudantes e sonham com uma realidade utópica que nunca existiu”.

O trabalho dos professores neste novo contexto é muito exigente. É preciso combinar uma sólida componente de investigação com muito boas técnicas de ensino e comunicação. Tudo isto sem esquecer o necessário entendimento do modo de funcionamento do mundo profissional, tanto de um modo geral como em cada uma das suas diferentes disciplinas.

Para Santiago Iñiguez de Onzoño, isto significa que “enquanto os professores eram vistos anteriormente como ‘gurus’, pessoas capazes de enquadrar ideias brilhantes e originais, agora precisamos de académicos capazes de balancear muitas técnicas e métodos diferentes. Eu chamo-os de “cangurus”, pessoas capazes de saltar facilmente de um assunto para o outro”.

Para o reitor da IE, este novo docente tem de se mostrar capaz de saltar do mundo académico para o mundo empresarial e voltar de novo das empresas para a sala de aula. E ser excelente em todas estas diferentes facetas do seu trabalho. “Estes ‘cangurus’ são muito raros no mercado e todas as escolas de negócios de topo competem, hoje em dia, para os atrair”, revela”.

DAqui …….

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Apelo à investigação …

Olá:

Venho por este meio solicitar que divulguem este inquérito online, produzido no âmbito da investigação para a obtenção do grau de doutoramento, com o titulo “Incidência e impacto do cyberbullying nos alunos do 3º ciclo do ensino básico público português”.

O questionário é sobre bullying, focado na vertente cyberbullying e dirigido aos alunos do 7º,8º e 9º ano do 3º ciclo do ensino básico.

Ao realizar este inquérito não se irá obter qualquer dado pessoal relevante, mantendo-se qualquer inquirido sobre total anonimato.

Solicito a todos que tenham filhos nestes anos escolares que peçam aos mesmos que preencham este questionário.

Agradecia também a sua divulgação, reenviando esta mensagem a todos os que conheçam.
Quanto maior a amostra mais fidedigna será a percepção da realidade portuguesa.

Agradeço, desde já, a sua colaboração.
Prof. Pedro Ventura

Recebi por e-mail

Bolonha sob outras perspectivas …

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“While it is easy to claim that certain reforms are technically in place and to provide supporting evidence for this, listening to the student voice can reveal that these reforms are only in place at a rather superficial level, and that the situation on the ground is far less glossy than the paper on which such statements are made.”

Um relatório arrasador, que vale a pena ler para confirmar que afinal não é apenas impressão nossa: Bologna with student eyes. European Students’ Union, 2009″.

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“Um artigo que faz pensar…Pedro Santa Clara
Professor Catedrático, Millennium bcp chair in Finance, Faculdade de Economia, Universidade Nova de Lisboa

“O Tratado de Bolonha tem três aspectos cruciais: standardiza os graus de ensino superior, permite que alunos nacionais e estrangeiros concorram às universidades em pé de igualdade, e obriga ao reconhecimento mútuo dos graus concedidos. A consequência inevitável é o aumento da concorrência entre universidades internacionais pelos melhores alunos e professores. Dentro de 10 anos, os melhores alunos portugueses poderão estudar na Universidade de Lisboa ou na Humboldt Universitat em Berlim – e não haverá barreiras linguísticas que o impeçam porque as universidades de topo vão todas ensinar em Inglês. A Europa vai aproximar-se dos EUA, e vai haver países como o estado do Nebraska sem qualquer universidade que se distinga e outros como o estado do Massachussets com várias, incluindo Harvard e o MIT”.

mais …

Daqui …

Reflexões …

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Coisas no Abrupto

1 – UM PAÍS À BEIRA DO ABISMO

.. não vê, e não quer ver o abismo.

2 – OS ABISMOS SÃO SEMPRE MAIORES

…do que a possibilidade de os saltar.

3 – AS PESSOAS SENSATAS TEMEM CAIR

…e começam a recuar e a andar mais devagar.

4- MAS O MAIOR VAIDOSO ACHA QUE ACELERANDO

… pode saltar por cima do abismo.

5 – QUANDO A VAIDADE E A INCONSCIÊNCIA LEVAM A ACELERAR EM DIRECÇÃO AO ABISMO

… quem vai cair quer levar o maior numero de pessoas com ele.


6 – UMA MENTIRA LABORIOSAMENTE CONSTRUÍDA

…não deixa de ser mentira.

7 – UMA MENTIRA PROTEGIDA PELAS MENTIRAS DE HOMENS PODEROSOS

…não deixa de ser mentira.

8 – OS PODEROSOS PROTEGEM-SE UNS AOS OUTROS

… para que não haja tentações de subversão do seu poder.

9 – OS PODEROSO PROTEGEM-SE UNS AOS OUTROS

… não por solidariedade política, mas por solidariedade do poder. O poder ilegítimo comunica entre si pela comunidade de interesses.

10 – UMA PROTECÇÃO EFICAZMENTE CONSEGUIDA NO PRESENTE

… não chega para proteger no futuro. Mas, com o futuro os poderosos podem bem, porque eles vivem sempre no presente.

11 – É MAIS FÁCIL APAGAR PROVAS NO TESTEMUNHO ORAL

.. do que no papel. O papel verga menos do que alguns homens.

12 – AS PROVAS NO PAPEL EMPALIDECEM COM O TEMPO

…sabem os mentirosos demasiado bem.

13 – OS PODEROSOS NÃO GOSTAM DE DEIXAR RASTRO NO PAPEL

…mesmo quando a isso são obrigados. Preferem o telefone, ou as conversas entre pessoas cúmplices, interessadas, e fiéis. Quanto mais etéreo melhor.

14 – MESMO O TELEFONE REVELA-SE PERIGOSO

…pelo que cada vez mais se usam os métodos da Al-Qaida: ordens por mensageiro de burro entre cavernas,

15 – É BOM PARA OS GOVERNOS

… que nunca se pergunte nada. As Comissões de Inquérito são para abater.

16 – TUDO ESTÁ PODRE

… na nossa Dinamarca.

17 – NÃO SE DEVE FAZER FUROS NO FUNDO DO MAR

… quando não se sabe tapa-los.

18 – UMA DUQUESA NÃO TEM MAIS HONRA DO QUE UMA SENHORA DA LIMPEZA

…bem pelo contrário.

19 – SE ESTIVER CALOR E SOL E FOR SÁBADO OU DOMINGO

… está aberta a época de praia nem que seja por um dia. Na época de praia deve haver sempre protecção mesmo para os negligentes..

20 – A UM HOMEM COMO JOSÉ LUÍS SALDANHA SANCHES

… é muito difícil caber num título tipo caixinha . Nem “revolucionário”, nem “fiscalista”, outra coisa. Que não cabe numa caixinha.

(url)


© José Pacheco Pereira

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Progamas Doutorais em Engenharia

“Antes eram doutoramentos. Agora são programas doutorais. Diferenças que detectei entre um e outro, no caso do programa doutoral em Engenharia Têxtil:

1)-Antes só se entrava em doutoramento com Mestrado e por sua vez no Mestrado só se entrava com 14 de média, ou currículo equivalente. Agora pode-se entrar com o Mestrado Integrado, que não é muito mais e ás vezes menos que a antiga licenciatura de 5 anos, com nota de 10 e/ou algum currículo. Portanto de uma assentada eliminou-se o Mestrado pelo meio e baixou-se a média para 10! Ao fim e ao cabo, significa que se pode chegar a doutor qualquer aluno que tenha sempre sido um aluno que conseguia os mínimos para passar ao longo de todo o seu percurso, desde o secundário ao Universitário.
2)- O programa Doutoral tem 4 Opções no primeiro ano nas áreas de Tecnologias Complementares, com 140 horas cada uma e 5 ECTS. O que são? Têm nomes do género: Metodologias da investigação.
Qual a necessidade de tantas horas de disciplinas que procuram ensinar ao aluno as competências que ele iria adquirir ao longo do seu doutoramento? A pesquisa ensina-se? Os professores dessas UCs que mais-valia conferem à pesquisa?
Imagino que um aluno que entra para doutoramento não quer mais aulas de “encher”.
Muitos já vêm do Mestrado com a tese delineada e com a pesquisa iniciada. Tudo isto só faz sentido para os professores de cartilha mas não para investigadores.
Estar-se a transformar o doutoramento que era uma tese de investigação num curso é, a meu ver, o caminho para retirar aquilo que de melhor havia nas Universidades, ao estilo anglo-saxónico, e introduzir mais matéria inerte, desnecessária e desmotivadora, muito ao estilo do continente europeu (a velha Europa).
Se isto é Bolonha então prefiro Londres ou Nova Iorque, como quem diz, prefiro o ensino experimental ao napoleónico”.

Daqui …

Os jovens e o conhecimento científico …

“O Museu de Ciência da Universidade de Coimbra acaba de lançar o concurso “Diários da Biodiversidade”, de Fevereiro a Dezembro, e desafia os “pequenos cientistas portugueses” a juntarem num diário toda a informação sobre os animais, plantas e fungos que os rodeiam.

É ver a natureza “debaixo da lupa”. Com este concurso, lançado no Ano Internacional da Biodiversidade, o Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (UC) pretende “alertar os mais jovens para a importância da conservação da natureza” e promover um contacto directo com a biodiversidade, explica em comunicado.

Podem participar jovens até aos 18 anos, em equipas de dois a cinco elementos. O desafio é “observar a natureza durante um período alargado de tempo, que pode ir de um mês a quase um ano, e elaborar um diário com as características mais importantes dos seres vivos que descobriram”, através de textos, ilustrações, fotos e outros meios.

A supervisão de um adulto é obrigatória, sendo ele professor, encarregado de educação ou membro da família”.

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In Universidade de Coimbra desafia jovens a criarem “Diários da Biodiversidade”
11.02.2010
Helena Geraldes

Ensinar, função primordial do professor

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“A leitura do texto de Carlos Fiolhais Investigação: a construção do saber, que incide na função primordial do professor universitário, fez-me procurar, e felizmente encontrar, um artigo de Manuel F. Canaveira publicado em 1998, na revista Ler. Ainda que tenham passados doze anos, o retrato que faz do lugar e do sentido do ensino na universidade mantém sua actualidade.
Ou, ter-se-á agravado?

“Os políticos não precisam de conhecer as razões por que a universidade portuguesa está caduca e necessita de urgente reforma, conforme eles próprios têm afirmado nos últimos cento e cinquenta anos. No fundo, foram eles que, com a sua proverbial demagogia, criaram o imbróglio quando convenceram a pequena burguesia oitocentista e a chamada classe média do pós-guerra de que era preciso «tirar um curso» e ser doutor para subir na vida.
Já meu pai, em meados do século dos anos sessenta, nos colocava, a mim e ao meu irmão — dois adolescentes ainda imberbes —, perante a seguinte «alternativa»: “Ou tiras o «canudo», ou serás marçano na mercearia cá do bairro”. Graças a Deus licenciei-me, até porque a dita venda faliu quando Lisboa ficou cercada de hipermercados. Hoje está tudo muito mais sofisticado: os pais, padrinhos, ou quem quer que seja, quando o jovem atinge o décimo ano (…) avisam-no logo: vê lá se consegues a média necessária para entrares no Ensino Superior; tira o curso (seja ele qual for; de preferência o mais curto e que aches mais fácil) e deixa o resto por minha conta, que eu arranjo-te emprego na minha empresa, na banca, nos seguros ou noutro sítio qualquer; onde possa mostrar, urbi et orbi, que és um doutor a sério.
Os «meninos» levam os adultos a sério e, quando transpõem o umbral da faculdade, pública, privada ou católica (tenho a impressão que eles nem se importavam que fosse protestante, budista ou xintoísta, desde que fosse universidade), dizem para com os seus botões: “Estou quase safo, e se vencer este primeiro e último obstáculo, o «fulano» de tal mete uma cunha onde quer que seja para eu ter um ordenado de largas centenas, carro topo de gama, telemóvel e tudo o mais que um jovem de sucesso deve possuir neste final de milénio. Se o «fulano» não conseguir, o «sicrano» ou o «beltrano» resolvem o problema.”

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